Pink Floyd, Wish you were here
Terça-feira, Outubro 6
Quarta-feira, Setembro 30
Parabéns avô.
Este é o meu 3º 30 de Setembro na blogosfera e tenho a certeza que escrevi sempre qualquer coisa. Para quem me lê desde aí deve ser já uma seca. Sorry...
Talvez porque não me lembro de um único 30 de Setembro passado como meu avô. Um único... Partilhei a superfície da Terra com alguém que além de 1/4 dos genes que tenho me deu tanto amor, compreensão, doces, brinquedos, colo, olhares meigos, risos, ensinamentos durante 13 anos e não me lembro de um único aniversário dele.
Este é o meu 3º 30 de Setembro na blogosfera e tenho a certeza que escrevi sempre qualquer coisa. Para quem me lê desde aí deve ser já uma seca. Sorry...
Talvez porque não me lembro de um único 30 de Setembro passado como meu avô. Um único... Partilhei a superfície da Terra com alguém que além de 1/4 dos genes que tenho me deu tanto amor, compreensão, doces, brinquedos, colo, olhares meigos, risos, ensinamentos durante 13 anos e não me lembro de um único aniversário dele.
Quarta-feira, Setembro 23
Houve um dia, há bastantes anos (tinha eu acabado de entrar na universidade e fui tratar de papelada), passeava-me por Lisboa e descia em direcção ao Rossio.
Eu não tinha quase dinheiro nenhum, o dia estava lindo e convidava a um passeio. Tempo tinha eu de sobra - não tinha pressa.
Desci o Campo Grande até Entrecampos, conhecia muitíssimo mal Lisboa e ia-me orientando pelos placards dispostos nas esquinas mais importantes.
Ao chegar a Entrecampos e tendo algumas opções de caminho à escolha perguntei a um polícia qual seria a melhor opção para mim. A resposta dele foi para eu ir de metro ou de autocarro, que era muito longe para ir a pé. Disse-lhe que a minha opção de meio de transporte estava tomada, ia a pé. Queria orientação no rumo. A única orientação foi que podia apanhar o 45 (entre outros que agora já não me lembro).
Agradeci. Agradeci o tempo dispendido. No fundo aquele senhor ficou estupidificado a olhar para mim como se eu fosse uma louca que fosse a pé (imagine-se!!) do Campo Grande ao Rossio*.
Pergunto-me ainda hoje porque teimam as pessoas em dizer "não vás, desse modo, vai deste" quando o que lhes perguntamos é "devemos ir por aqui ou por ali?"
Porque teimam as pessoas em impingir-nos um modo de "transporte". Porque é tão fácil censurar a opção? Recearão que pelo modo que escolhemos acabe por "sobrar" para elas?
... bem, isto já é para as filosofias de bolso. A memória termina comigo a escolher uma direcção: segui pela Av. João XXI, Av. de Roma, Praça de Londres, Av. de Paris, Av. Almirante Reis e por aí fora até ao Martim Moniz.
*Quantas vezes esta "louca" não fez bem mais que isso, quando ia do Campo Grande ao Cais do Sodré pelo sítio mais longe, metia pela Encarnação, descia a Rua da Misericórdia, a Rua do Alecrim e lá ia eu descansadinha da vida: eu e o meu walkman.
Eu não tinha quase dinheiro nenhum, o dia estava lindo e convidava a um passeio. Tempo tinha eu de sobra - não tinha pressa.
Desci o Campo Grande até Entrecampos, conhecia muitíssimo mal Lisboa e ia-me orientando pelos placards dispostos nas esquinas mais importantes.
Ao chegar a Entrecampos e tendo algumas opções de caminho à escolha perguntei a um polícia qual seria a melhor opção para mim. A resposta dele foi para eu ir de metro ou de autocarro, que era muito longe para ir a pé. Disse-lhe que a minha opção de meio de transporte estava tomada, ia a pé. Queria orientação no rumo. A única orientação foi que podia apanhar o 45 (entre outros que agora já não me lembro).
Agradeci. Agradeci o tempo dispendido. No fundo aquele senhor ficou estupidificado a olhar para mim como se eu fosse uma louca que fosse a pé (imagine-se!!) do Campo Grande ao Rossio*.
Pergunto-me ainda hoje porque teimam as pessoas em dizer "não vás, desse modo, vai deste" quando o que lhes perguntamos é "devemos ir por aqui ou por ali?"
Porque teimam as pessoas em impingir-nos um modo de "transporte". Porque é tão fácil censurar a opção? Recearão que pelo modo que escolhemos acabe por "sobrar" para elas?
... bem, isto já é para as filosofias de bolso. A memória termina comigo a escolher uma direcção: segui pela Av. João XXI, Av. de Roma, Praça de Londres, Av. de Paris, Av. Almirante Reis e por aí fora até ao Martim Moniz.
*Quantas vezes esta "louca" não fez bem mais que isso, quando ia do Campo Grande ao Cais do Sodré pelo sítio mais longe, metia pela Encarnação, descia a Rua da Misericórdia, a Rua do Alecrim e lá ia eu descansadinha da vida: eu e o meu walkman.
Quinta-feira, Setembro 17
O que é amargo nunca adoçou
Há muitos muitos anos, num sítio muito muito distante, havia um grupo de meninos e meninas. Blá blá blá para a frente com pormenores da treta tirando a distância da praia à Mabi e tirando o calor que quase nem dava para respirar, todos no grupo queriam croissants mas ninguém queria ir buscar, eu e outra rapariga voluntariámo-nos e lá fomos praia acima até à vila, a caminho alguns dos pedidos e optámos por trazer recheio de ovo para aqueles que esquecemos o que queriam, e todos compreenderam... bem, nem todos.
Nem sempre as melhores intenções têm os melhores resultados e C., acredita, posso viver mais 80 anos que não haverá alzheimer que me faça esquecer que odeias croissant de recheio de ovo.
Nem sempre as melhores intenções têm os melhores resultados e C., acredita, posso viver mais 80 anos que não haverá alzheimer que me faça esquecer que odeias croissant de recheio de ovo.
Quinta-feira, Setembro 10
A rentreé era sempre a época mais ansiada por mim. O final das aulas, em Junho, era sempre a mesma tristeza, ter que passar as férias a ocntar os dias para regressar às aulas, para regressar ao único ambiente em que me sentia bem.
As memórias tornam-se difusas, há o doce sabor da lembrança do entusiasmo do regresso às aulas misturado com uma certa tristeza de não conseguir estabelecer uma linha temporal concreta de surante quanto tempo foi assim: terá sido "sempre"?
Hoje pergunto-me sobre tudo isso.
As memórias tornam-se difusas, há o doce sabor da lembrança do entusiasmo do regresso às aulas misturado com uma certa tristeza de não conseguir estabelecer uma linha temporal concreta de surante quanto tempo foi assim: terá sido "sempre"?
Hoje pergunto-me sobre tudo isso.
Terça-feira, Setembro 1
Momento lamechas
Rita Coolidge, We are all alone
Esta música terá para cima de 30 anos, lembro-me de ser muito muito miudinha e de me tocar mesmo mesmo cá no fundo sem nunca ter percebido porquê.
Há meia hora, no super, estava a tocar. Memorizei o refrão, procurei e depois de ler a letra ainda toca mais. E pronto: cá está ela.
Há meia hora, no super, estava a tocar. Memorizei o refrão, procurei e depois de ler a letra ainda toca mais. E pronto: cá está ela.
Quarta-feira, Agosto 12
Coisas de infância
Enquanto escrevia um post no blog sem nome surgiu-me a ideia para outro (este) e desse surgiu-me esta memória, uma mémória que não é de todo linear, vários aspectos acabam por estar intrincados nesta coisinha "tão simples" que é a vida familiar na infância e as suas repercurssões na vida adulta.
Para quem não vai ler o post do Sem Nome a memória surgiu-me ao escrever que «Não, não tenho feitio nem de queixas nem de lamúrias nem de desabafos banais. Para mim a lágrima é uma coisa séria».
Nem sempre fui assim e o feitio também é uma coisa que se molda.
Quando eu era miúda eu e o meu irmão andávamos constantemente às turras, e andar às turras era nos dias bons: aquilo era de fazer sangue. Enfim, dávamo-nos muuuito bem!
Uma regra que havia em casa (e mesmo com o divórcio continuou a vigorar mas passou a vigorar em duas casas - na da mãe e na do pai) era não haver queixinhas.
As coisas passavam-se sempre da mesma forma (ou quase sempre): havia a briga e chorava-se. Vinha o pai ou a mãe pôr ordem na questão, começavam as queixas de "foi ele!!" ou "foi ela!!" e a única resposta da mãe era que não interessava quem tinha sido, não ouvia queixas. Bem... o pai era mais radical: quem se queixasse, mesmo tendo razão, apanhava uma palmada e acreditem que a mão do meu pai de leve nunca teve nada.
O que sempre me deixou danada foi apanhar de dois lados: do meu irmão, que me ia bater, empurrar, puxar cabelos ou o que fosse que lhe desse na telha, e assim que eu resmungava ou refilava ou chorava (dependendo do estímulo) apanhar do meu pai por me estar a manifestar.
Mas asseguro que o que não nos mata torna-nos mais fortes e também asseguro que pode demorar algum tempo mas sempre nos adaptamos às situações.
O que sei e tenho a certeza absoluta é que este tipo de educação teve toda a influência no modo como manifesto as situações menos boas (e apesar de tudo também as boas) que acontecem na minha vida e nunca mas nunca seria possível se eu não tivesse tido irmãos.
Para quem não vai ler o post do Sem Nome a memória surgiu-me ao escrever que «Não, não tenho feitio nem de queixas nem de lamúrias nem de desabafos banais. Para mim a lágrima é uma coisa séria».
Nem sempre fui assim e o feitio também é uma coisa que se molda.
Quando eu era miúda eu e o meu irmão andávamos constantemente às turras, e andar às turras era nos dias bons: aquilo era de fazer sangue. Enfim, dávamo-nos muuuito bem!
Uma regra que havia em casa (e mesmo com o divórcio continuou a vigorar mas passou a vigorar em duas casas - na da mãe e na do pai) era não haver queixinhas.
As coisas passavam-se sempre da mesma forma (ou quase sempre): havia a briga e chorava-se. Vinha o pai ou a mãe pôr ordem na questão, começavam as queixas de "foi ele!!" ou "foi ela!!" e a única resposta da mãe era que não interessava quem tinha sido, não ouvia queixas. Bem... o pai era mais radical: quem se queixasse, mesmo tendo razão, apanhava uma palmada e acreditem que a mão do meu pai de leve nunca teve nada.
O que sempre me deixou danada foi apanhar de dois lados: do meu irmão, que me ia bater, empurrar, puxar cabelos ou o que fosse que lhe desse na telha, e assim que eu resmungava ou refilava ou chorava (dependendo do estímulo) apanhar do meu pai por me estar a manifestar.
Mas asseguro que o que não nos mata torna-nos mais fortes e também asseguro que pode demorar algum tempo mas sempre nos adaptamos às situações.
O que sei e tenho a certeza absoluta é que este tipo de educação teve toda a influência no modo como manifesto as situações menos boas (e apesar de tudo também as boas) que acontecem na minha vida e nunca mas nunca seria possível se eu não tivesse tido irmãos.
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