sábado, julho 31, 2010

A cultivar memórias

Neste momento muitas recordações de muitos acontecimentos e sentimentos me vêm à cabeça mas ando mais ocupada a cultivar memórias.

Bem hajam estes últimos meses.

sábado, março 20, 2010

Memórias de um balão

Era um balão de fundo branco e raiado de muitas cores em tons mortos, quase nem parecia um balão de criança se fôssemos comparar com os balões de hoje.

No "meu tempo" já havia balões (só para distinguir dos tempso de outro mais antigos que eu) que não tinham nada que ver com a variedade dos balões de hoje: seja em forma, cores, tamanhos, locais de venda e ocasião - sim, no "meu tempo" ter um balão era deixado para ocasiões especiais.

Lembrei-me de um episódio muito antigo da minha infância - e fiquei contente, porque de pouca coisa me lembro de quando era múda no que toca a certos factos.

Por altura do Natal fomos à baixa pombalina. "Fomos" eu deduzo que era os meus pais, eu e o meu irmão porque não me lembro de quem ia - lembro-me só que eu ia.
Lembro-me das luzes, lembro-me das castanhas a assar, do cheiro no ar, do escuro da noite.

Lembro-me de vir no comboio com o meu balão preso no pulso e com cuidado para bater em sítio nenhum para não rebentar.

Lembro-me de o balão ter sobrevivido o caminho todo, de ter subido o elevador, de ter chegado ao 4º andar e de ir às cavalitas do meu pai (devia ser...)

Lembro-me de ter tido tanto cuidado e de o balão ter sobrevivido o caminho todo e de enquanto se abria a porta ter batido na parede - que era forrada a areia de vidro - e de não ter entrado em casa inteiro.

quinta-feira, março 18, 2010

"Gato escondido com rabo de fora"

Foi em 2000 que fomos ao Ermal ver, entre outras bandas, Deftones.
 
Lembrei-me disto por estar agora a ouvir o "White Pony". Bons tempos...

Os Deftones actuaram dia 23 de Agosto - dia de aniversário da minha cunhada que não pôde ir ver e adorava, telefonámos-lhe e pusemos o concerto "em directo" com presente - e o Rui faz anos a 6 de Setembro. O relevante disto é que na altura ainda não tínhamos acesso à net e para ver capas e fazer compras só mesmo in situ na lojinha e nenhum de nós, supostamente, tinha ido à cata do novo albúm que estava acabadíssimo de sair.
E vai daí... bem... é um bocado complicado explicar e perdia a piada toda.
Resumindo e concluindo: foi difícil que o Rui não percebesse que ia receber no aniversário o albúm quando eu me esqueci que supostamente nenhum de nós conhecia a capa e desatei aos saltos quando vi o pano com a capa de Deftones e grito para ele: agora são os Deftones!!!

terça-feira, outubro 06, 2009

Sons do passado





Pink Floyd, Wish you were here

quarta-feira, setembro 30, 2009

Parabéns avô.

Este é o meu 3º 30 de Setembro na blogosfera e tenho a certeza que escrevi sempre qualquer coisa. Para quem me lê desde aí deve ser já uma seca. Sorry...


Talvez porque não me lembro de um único 30 de Setembro passado como meu avô. Um único... Partilhei a superfície da Terra com alguém que além de 1/4 dos genes que tenho me deu tanto amor, compreensão, doces, brinquedos, colo, olhares meigos, risos, ensinamentos durante 13 anos e não me lembro de um único aniversário dele.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Houve um dia, há bastantes anos (tinha eu acabado de entrar na universidade e fui tratar de papelada), passeava-me por Lisboa e descia em direcção ao Rossio.

Eu não tinha quase dinheiro nenhum, o dia estava lindo e convidava a um passeio. Tempo tinha eu de sobra - não tinha pressa.

Desci o Campo Grande até Entrecampos, conhecia muitíssimo mal Lisboa e ia-me orientando pelos placards dispostos nas esquinas mais importantes.

Ao chegar a Entrecampos e tendo algumas opções de caminho à escolha perguntei a um polícia qual seria a melhor opção para mim. A resposta dele foi para eu ir de metro ou de autocarro, que era muito longe para ir a pé. Disse-lhe que a minha opção de meio de transporte estava tomada, ia a pé. Queria orientação no rumo. A única orientação foi que podia apanhar o 45 (entre outros que agora já não me lembro).

Agradeci. Agradeci o tempo dispendido. No fundo aquele senhor ficou estupidificado a olhar para mim como se eu fosse uma louca que fosse a pé (imagine-se!!) do Campo Grande ao Rossio*.


Pergunto-me ainda hoje porque teimam as pessoas em dizer "não vás, desse modo, vai deste" quando o que lhes perguntamos é "devemos ir por aqui ou por ali?"

Porque teimam as pessoas em impingir-nos um modo de "transporte". Porque é tão fácil censurar a opção? Recearão que pelo modo que escolhemos acabe por "sobrar" para elas?

... bem, isto já é para as filosofias de bolso. A memória termina comigo a escolher uma direcção: segui pela Av. João XXI, Av. de Roma, Praça de Londres, Av. de Paris, Av. Almirante Reis e por aí fora até ao Martim Moniz.



*Quantas vezes esta "louca" não fez bem mais que isso, quando ia do Campo Grande ao Cais do Sodré pelo sítio mais longe, metia pela Encarnação, descia a Rua da Misericórdia, a Rua do Alecrim e lá ia eu descansadinha da vida: eu e o meu walkman.

quinta-feira, setembro 17, 2009

O que é amargo nunca adoçou

Há muitos muitos anos, num sítio muito muito distante, havia um grupo de meninos e meninas. Blá blá blá para a frente com pormenores da treta tirando a distância da praia à Mabi e tirando o calor que quase nem dava para respirar, todos no grupo queriam croissants mas ninguém queria ir buscar, eu e outra rapariga voluntariámo-nos e lá fomos praia acima até à vila, a caminho alguns dos pedidos e optámos por trazer recheio de ovo para aqueles que esquecemos o que queriam, e todos compreenderam... bem, nem todos.

Nem sempre as melhores intenções têm os melhores resultados e C., acredita, posso viver mais 80 anos que não haverá alzheimer que me faça esquecer que odeias croissant de recheio de ovo.